sábado, 26 de agosto de 2017

A Igreja tem autoridade sobre a Escritura, afirma sacerdote ao pastor Silas Malafaia


RIO DE JANEIRO, 25 Ago. 17  (ACI).- “A Igreja tem sim autoridade sobre a Escritura”, foi a resposta de Padre Augusto Bezerra, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, ao comentar um vídeo no qual o pastor Silas Malafaia ataca o Bispo de Palmares (PE), Dom Henrique Soares, por ter o prelado afirmado que “a Bíblia nasceu na Igreja” e “é a expressão da fé da Igreja”.

Dom Henrique abordou este tema ao responder perguntas enviadas ao seu site, por internautas católicos sobre a doutrina, a tradição, os dogmas e dentre outros, da Igreja Católica.

No dia 23 de agosto, o Pastor Silas Malafaia publicou um vídeo em seu canal no Youtube atacando a Igreja Católica, especificamente o Bispo de Palmares, dizendo que os católicos escondem a Bíblia porque querem manipular a fé.

Diante disso, Padre Augusto Bezerra, que costuma realizar um amplo trabalho nas redes sociais, recordou ao pastor que a Bíblia que ele usa “é um cânon reconhecido por uma autoridade”.

“O cânon bíblico, isto é, a lista de livros reconhecidos como revelados das Escrituras, na verdade, é reconhecido por uma autoridade instituída frente ao povo de Deus” e esta autoridade “é a Igreja”.

“Nós sabemos que o cânon bíblico já foi formulado nos primeiros séculos, sob a autoridade da Igreja e com a sua palavra final”, pontuou.

Assim, o sacerdote explicou que, “se o cânon bíblico é precedido de uma autoridade, logo existe sim autoridade sobre as Sagradas Escrituras”.

“Portanto – acrescentou –, esta autoridade não só se restringe ao conhecimento dos livros que pertencem às Escrituras, mas também avança sobre a interpretação correta da Palavra de Deus, segundo a doutrina deixada por Cristo, segundo a tradição dos apóstolos”.

Pe. Bezerra ainda contradisse as afirmações do pastor de que a Igreja Católica busca manipular e esconder a Bíblia das pessoas. Ele recordou que, “no século IV, o Papa Dâmaso ordenou São Jerônimo traduzir as Escrituras do grego, do aramaico e do hebraico para o latim do povo e, por isso, nós chamamos inclusive essa tradução de Vulgata Latina, porque é da língua vulgar, do povo”.

“Ou seja – ressaltou –, a Bíblia nas mãos das pessoas já no século IV”.

Por outro lado, explicou por que sete livros presentes na Bíblia Católica foram retirados por Martinho Lutero da Bíblia protestante.

“Ele descobriu que tinha um Concílio de Jamnia, concílio judaico, nacionalista, que negava os textos do Antigo Testamento de origem grega, porque tinham uma profunda mágoa dos povos estrangeiros, pelo exílio e também pela destruição que o Império Romano levou a Israel no ano 70 d.C.”.

O sacerdote assinalou que naquela época, os judeus “estavam profundamente marcados, sofridos, estavam na dispersão mais uma vez e aquilo interferiu diretamente na concepção deles acerca das Sagradas Escrituras”.

“Eles disseram que o que era bíblico, na verdade, era o que tinha origem hebraica e aramaica. E aquilo que foi composto durante o tempo do exílio não era bíblico, porque era de origem grega. Ora, acaso Deus julga pela origem linguística a canonicidade bíblica?”, questionou.

Assim, concluiu reforçando que os sete livros negados pelo Concílio de Jamnia e retirados da Bíblia protestante por Martinho Lutero são inegavelmente “inspirados por Deus”.

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