sábado, 23 de julho de 2016

Janaína Paschoal se emociona ao ser valorizada no Senado Federal, “ela livrou o Brasil do caos”

Janaína Paschoal se emociona com as palavras de Cássio Cunha Lima em sua defesa, o senador lembra o quanto a mesma foi hostilizada por militantes bandidos, políticos poderosos e uma imprensa covarde.

Coautora do pedido que afastou Dilma Rousseff é chamada de golpista na USP, convive com família petista do marido e vê Temer fiel à responsabilidade fiscal.

E mais:

Coautora do pedido de impeachment que acabou por resultar no afastamento da presidente Dilma Rousseff, a advogada Janaina Conceição Paschoal se tornou personagem de destaque nos meses que antecederam a aprovação do processo por crime de responsabilidade contra a petista pelo Senado. Suas acaloradas defesas da ação, seja no Congresso ou em eventos públicos, e as críticas ao Partido dos Trabalhadores renderam infindáveis – e impagáveis – memes nas redes sociais. Aclamada por grupos pró-impeachment e duramente atacada pela militância de esquerda, Janaina viu sua rotina se alterar drasticamente. Quinze dias após o afastamento de Dilma, contudo, a advogada submergiu – e tem de conviver com a ira de militantes petistas.

Ela está ideologicamente isolada na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), de cujo Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia é professora associada. “Reduto petista”, segundo classifica Janaina, a escola sediada no Largo São Francisco, assim como a maioria das universidades públicas brasileiras, é ambiente hostil a ideias que não reflitam os ideais de esquerda. Mesmo à jurista autodeclarada “radical de centro”, que frequenta a universidade desde os 17 anos. O convívio com militantes esquerdistas e do PT, contudo, não se restringe ao ambiente acadêmico. A família do marido, com quem tem dois filhos, é petista fervorosa, “de ir para a rua fazer campanha”, brinca Janaina.

Ela relatou ao site de VEJA, na saída de uma aula na semana passada, que os contraparentes não acreditavam que o impeachment fosse prosperar. Com Dilma afastada, o assunto morreu. “Não conversamos a respeito, eu sempre coloco a família em primeiro plano”, garante.

“A vida dela na universidade sempre foi muito sofrida”, diz o advogado Roberto Podval, amigo de Janaina e primeiro chefe dela na área jurídica. Defensor do ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato e contrário ao impeachment baseado nas pedaladas fiscais, Podval observa que em “todos os concursos para titularidade, para avançar na carreira dentro da USP, ela (Janaina) sempre foi preterida”. Entre os colegas do corpo docente do Direito da USP, destacam-se petistas notórios, como os juristas Dalmo Dallari, Fábio Comparato e Sérgio Salomão Shecaira, este “desafeto político da professora Janaina”, conforme analisa Elival Ramos, professor de Direito Constitucional da universidade e Procurador do Estado de São Paulo.

Desde o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência e a consequente – e constitucional – ascensão do vice-presidente Michel Temer (PMDB) ao cargo mais alto do Executivo, Janaina conversa sobre o assunto no ambiente acadêmico apenas com os colegas favoráveis ao impeachment, “que são discretos”. Com os contrários, não toca no assunto. A recíproca é verdadeira. Entre os alunos, por outro lado, a saída da petista do Planalto despertou a ira dos adeptos da fantasiosa teoria do “golpe”. No dia seguinte ao afastamento de Dilma pelo Senado, cerca de 15 acadêmicos penduraram ao lado do quadro negro da sala Dino Bueno, onde a professora dá aula às sextas-feiras, um letreiro onde se lia, em letras garrafais vermelhas sobre papel pardo: “golpista”.

“Golpe ontem e hoje”, ataca outro cartaz, este em letras escuras, suspenso sobre a entrada da escadaria que dá acesso às salas de aula. Houve na universidade até enterro simbólico da Constituição, organizado na quinta-feira passada, com direito a caixão para o “livro sagrado”, como carinhosamente a jurista se refere à Carta Magna.

“O cheiro de ilegitimidade e de pegar carona no poder é muito grande”, protestou a professora de Teoria do Estado da USP Maria Paula Dallari Bucci. “Entendo que a Constituição está mais viva do que em qualquer outro momento, mas o PT é bom de marketing”, rebate Janaina.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

‘Foi caixa 2 mesmo, excelência’, diz marqueteira a juiz da Lava Jato

Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana,
que está presa em Curitiba, alvo da Lava Jato
Mônica Moura, ré em ação penal por receber no exterior propinas do esquema Petrobrás, declarou a Moro que não registrou na Justiça Eleitoral valores repassados da campanha de Dilma Roussef em 2010.

Diante do juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a empresária Mônica Moura – mulher e sócia do publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas de Lula e Dilma – confessou que US$ 4,5 milhões recebidos de o operador de propinas Zwi Scornicki em conta no exterior eram referentes ‘a uma dívida de campanha que o PT ficou devendo prá gente na campanha de 2010’.

Ela afirmou que o então tesoureiro do PT João Vaccari Neto orientou-a a procurar Zwi. “Primeira campanha da presidente Dilma.

Ficou uma dívida de quase 10 milhões de reais que não foi paga, demorou, foi protelada, eu cobrei muito, tinha muitas dívidas de campanha, se tentou resolver de várias formas. Enfim, depois de muita luta tive uma conversa com o Vaccari que acertava os pagamentos de campanha. Ele mandou procurar um empresário. Assim eu cheguei no sr. Zwi. O Vaccari me deu o contato dele, fui a um escritório dele no Rio. Fui acertar com ele a forma de pagamento.”

O DEPOIMENTO DE MONICA MOURA:

O juiz Moro questionou a mulher de João Santana se ‘foi tratado de onde vinha o dinheiro’.

“Não, não”, ela respondeu.

A sra não perguntou a Vaccari ou a Zwi?, insistiu o juiz.

“Não, não. Estava recebendo pelo meu trabalho. Só perguntei ao Vaccari ‘como vai ser feito isso’. Ele disse ‘olha, vai ter que parcelar, vai conversar com ele (Zwi) que já está tudo acertado.”

Ela admitiu que não registrou o pagamento parcelado na Justiça Eleitoral. “Não, foi caixa 2 mesmo excelência. Não foi declarado” O juiz perguntou à ré por que não confessou logo que foi presa em fevereiro e depôs na Polícia Federal. “Primeiro, porque eu passava por uma situação extrema. E o País estava vivendo um momento muito grave política e institucionalmente. As coisas acontecendo com a presidente Dilma, todo o processo, eu não quis atrapalhar esse processo, eu não quis incriminar, não queria contribuir com uma coisa para piorar. Acabei falando que (recebeu) de campanha no exterior. Eu queria apenas poupar (Dilma) de piorar a situação. Eu quis apenas não piorar a situação.”

O juiz indagou a Mônica se ela não tinha receio de receber propinas do esquema Petrobrás. “Nunca pensei nisso, nunca me passou pela cabeça. Eu estava recebendo remuneração pelo meu trabalho, usando uma conta não declarada no exterior. O receio que eu tinha, óbvio, é que estava usando uma conta não declarada no exterior. Sempre tive muito receio disso, mas, infelizmente, no meu trabalho, na minha atividade, isso acontece sempre. Faz parte dos trabalhos da campanha política. Sempre são pagamentos em caixa 2, uma prática que acontece.”

Laudo da Polícia Federal indica que a empresa do casal (Pólis Propaganda) recebeu R$ 170 milhões do PT, entre 2006 e 2014. “São valores expressivos”, ela reconheceu. “Fazer TV, campanha no Brasil, é muito caro. Isso (R$ 170 milhões) se refere a campanhas.”

Moro perguntou o motivo de não ter incluído os US$ 4,5 milhões recebidos de Zwi Scornicki na contabilidade da agência Pólis Propaganda. “Os partidos não aceitam, sempre tentei para ficar mais tranquila, não tinha que correr riscos, fazer esse malabarismo de empresário doador de campanha, mas o partido não aceita porque tem o teto, vai extrapolar o teto limite que tem no Tribunal Superior Eleitoral. Os partidos não querem declarar o real valor que recebem das empresas. Em contrapartida nós profissionais ficamos no meio disso. Portanto, nunca era declarado todo o valor. Não era uma opção minha, era uma prática, não só do PT, em todos os partidos.”

Moro questionou a mulher de João Santana se ela não considera ‘uma trapaça a banalização do caixa 2’.

“Eu queria receber esses valores o mais rápido possível, mas o Vaccari já havia me informado que ia parcelar, não tinha como pagar de uma vez. Eu queria. O (Vaccari) disse que (Zwi) era um grande empresário, uma pessoa honesta, decente, que colaborava com o partido e que iria pagar essa dívida nossa. Mas eu nunca pensei em dinheiro sujo.”

COM A PALAVRA, A PRESIDENTE AFASTADA DILMA ROUSSEFF

A presidente afastada da República, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, na manhã desta sexta-feira, 22, que não autorizou pagamento de caixa 2 a ninguém durante sua campanha. “Na minha campanha eu procurei sempre pagar valor que achava que devia. Se houve pagamento (de caixa 2), não foi com meu conhecimento”, comentou.

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quinta-feira, 21 de julho de 2016


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Câmara convidará Moro para falar de corrupção para os deputados

O jogo mudou. Câmara convidará Moro para falar de corrupção para os deputados

Posted by César Weis
Josias de Souza
Relator do pacote anticorrupção que chegou à Câmara endossado por 2,5 milhões de brasileiros, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) convidará Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, para participar de audiência pública sobre as propostas. Considera essencial também que a comissão especial criada para tratar do tema ouça procuradores da República lotados na força-tarefa que opera em Curitiba.

Nesta terça-feira (19), Rodrigo Maia (DEM-RJ), novo presidente da Câmara, recebeu a visita de uma delegação de dirigentes de entidades que representam as corporações de procuradores da República, juízes federais e auditores do TCU. Foram pedir celeridade na tramitação das propostas. Gostariam que fossem aprovadas até 9 de dezembro, Dia internacional do Combate à Corrupção.

O relator Lorenzoni participou da reunião. Indagado por Maia sobre os prazos, informou que apresentará em 2 de agosto o seu roteiro de trabalho. O cronograma inicial estima que serão necessários 60 dias para a realização de audiências públicas. “Creio que estará em condições de ser votado no plenário no início de novembro”, disse o deputado ao blog. Se for aprovado, o pacote seguirá para apreciação do Senado.

Vendido por seus idealizadores como um conjunto de “dez medidas contra a corrupção”, o pacote é bem mais abrangente. “Na verdade, o que temos são dez conceitos que mexem em pelo menos 29 leis”, disse Lorenzoni. “Precisamos decidir se isso tudo ficará num único projeto de lei, em dois ou três. Alguma coisa talvez exija uma PEC (proposta de emenda constitucional).”

Concebido pelos procuradores da Lava Jato, o pacote prevê, por exemplo: prisão de até oito anos para o funcionário público que ostentar patrimônio incompatível com a renda; tipificação da corrupção como crime hediondo quando o roubo envolver grandes cifras; responsabilização criminal dos partidos políticos patrocinadores dos roubos e ciminalização do caixa dois eleitoral.

O relator explicou: “O deputado Mendes Thame (PSDB-SP) lidera uma frente parlamentar de combate à corrupção. Ele apresentou um projeto sob o número 4850. Partindo dele, vamos agregar outros assuntos e ver se tudo fica nesse projeto ou se serão necessários outros. Há também questões regimentais que temos de analisar.”

Um dos presentes à reunião se referiu ao pacote convertido em proposta de iniciativa popular como algo imodificável. Lorenzoni respondeu que a Câmara não abre mão de “aperfeiçoar” as medidas. O blog lembrou ao relator que Renan Calheiros, presidente do Senado, está ávido por votar projetos considerados tóxicos. Entre eles um que altera as regras da delação premiada, dificultando um procedimento que está na raiz do sucesso da Lava Jato.

Lorenzoni respondeu: “Não faremos absolutamente nada que represente retrocesso. A sociedade brasileira não aceita recuos. Precisamos caminhar para a frente.”


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