
A história de Barrocas e seu desenvolvimento inicial estão ligados à estrada de ferro. Mas, ao lado do feijão, milho e mandioca, estão ligados também ao sisal. Revendo a biografia dos políticos de Barrocas e das pessoas mais de destaques no município, todas elas lidaram com o sisal, seja cultivando, beneficiando ou comercializando o produto. Essa planta teve um grande papel no desenvolvimento econômico do atual município. “O sisal é originário da península de Yukatan, no México. No Brasil, o sisal começou a ser cultivado em 1903, na Paraíba... Na região sisaleira, situada no nordeste da Bahia, a planta do sisal chegou em 1910, no município de Santa Luz”. (Conf.: http://www.moc.org.br/noticias_exibir.php?mostrar=50)
João Olegário
Em Barrocas o sisal chegou na segunda metade da década de 40. João Olegário de Queiroz (Joãozinho de Sinfrônio) trouxe mudas da planta da vizinha cidade de Santa Luz – Bahia em um vagão da estrada de ferro para serem doadas ao povo com o objetivo de incrementar esta nova cultura na região. Ele fomentou o plantio do sisal na região de Barrocas; também foi o pioneiro no desfibramento da folha da planta usando um motor movido a óleo a diesel. No início, as pessoas, sem conhecerem bem o potencial econômico que seria o sisal na região, começaram a plantar ao pé das cercas mais fracas das roças para reforçá-las, impedindo a passagem de animais. Ainda bem criança, lembro-me que meu tio Agostinho Pimentel pegou umas sobras das mudas de sisal trazidas por João Olegário para Barrocas e levou para a fazenda Fortuna de seu pai Pedro Pimentel de Oliveira (Pedro da Fortuna). Esse senhor plantou parte das mudas ao pé das cercas e seu filho Agostinho plantou a outra parte em meio quarto de terra. Quando começaram a explorar economicamente o sisal na região, Pedro da Fortuna e outros que utilizaram a planta como reforço das cercas, começaram a ganhar dinheiro com o beneficiamento. Os mais ambiciosos (no bom sentido) começaram a plantar o sisal em suas terras não destinadas ao plantio das culturas tradicionais e ao capim. No início, o desfibramento do sisal era muito primitivo por meio de instrumentos simples chamados de "farrachos" e eram os próprios produtores que beneficiavam com a mão-de-obra familiar. Depois vieram os motores e os atravessadores que compravam todo o sisal ainda na folha ou beneficiavam pagando uma quantia pequena pelo quilo da fibra. Nos anos de pouca lavoura de milho e feijão, o sisal era o “refrigério” dos mais pobres. Nos dias de feira, e também durante a semana, era comum ver as pessoas trazendo seus pequenos fardos de fibra de sisal para venderem nos armazéns e terem seu dinheirinho para comprar os mantimentos.

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