terça-feira, 11 de setembro de 2012

Brigas internas no PT, fracasso na campanha e risco de perda no mensalão afetam saúde de Lula


A doença parece ser o único verdaderiro opositor de Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de mais um fim de semana em repouso forçado, Lula se submete hoje a amanhã (10 e 11/09)  a uma bateria de exames no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, onde médicos proclamaram que ele tinha obtido a milagrosa cura de um câncer de laringe. Semana passada, Lula foi obrigado a cancelar compromissos de campanha por causa de dor na garganta e febre – problemas que o deixam indisposto.

Nem precisa ser médico para saber que Lula, ainda em tratamento pós-tumor, no mínimo, anda somatizando os recentes desgastes políticos. A saúde do PT anda péssima nesta eleição municipal. Além disso, Lula se envolve em brigas não-declaradas publicamente com o governo. Anda rompido com seu ex-aliado Guido Mantega, já tendo pedido a cabeça dele à Presidenta Dilma Rousseff – com quem sempre posa em fotos bem arrumadinhas, toda vez que aparecem sinais de divergências sérias entre os dois.

Mais crítica que a saúde eleitoral petista é a situação dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal. Lula e o comando petralha já dão como muito provável o risco de condenação para os principais dirigentes do partido – como José Dirceu e José Genoíno. Agora, o maior temor petista é com a condenação e possibilidade concreta de cadeia para Marcos Valério – o publicitário que até agora aparece como grande culpado de todas as operações mensaleiras (que não envolvem só ele, é claro). Preso – o que se avaliava impensável antes do julgamento -, o medinho da petralhada é que, por vingança, Valério jogue o PT no ventilador da história.

O risco também é altíssimo se o publicitário Duda Mendonça também for condenado e obrigado a puxar cadeia. Da mesma forma que Valério, Duda pode abrir a boca e comprometer ainda mais alguém da cúpula petista. Na CPI dos Correios, o baiano ensaiou que teria muito a dizer. Como sua empresa continuou com negócios com o governo, preferiu não criar problemas. Mas se o cárcere se tornar uma realidade, Duda tem tudo para soltar o verbo e principiar o começo do fim para alguns membros da cúpula petista – há 10 anos no papel de “zelite” do poder político tupiniquim, sem oposição efetiva e eficaz.

O julgamento final do mensalão tem tudo para atrapalhar bastante. Mas ainda não deve ser o ponto decisivo para a queda da petralhada. A verdade concreta é que a saúde e sobrevivência do PT no poder dependem muito mais do fator econômico. Se a gravíssima crise em curso na Europa – com o risco cada vez mais concreto de a Alemanha abandonar o Euro -, afetar as classes baixa e média brasileira, o partido sofrerá um desgaste de imagem inevitável. Só nesta conjuntura crítica, alguma nova denúncia de corrupção pode colar em seus dirigentes e forçar uma queda do partido. Ou, então, se as marionetes Lula e Dilma contrariarem os poderes globalitários – que são os derrubadores tradicionais de esquemas no poder.

Se depender da incompetência da tradicional oposição política interna, tudo fica como dantes no Palácio do Planalto e adjacências.

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