sábado, 14 de agosto de 2010

BARROCAS LIVRE

Anulada a emancipação e voltando à condição de distrito de Serrinha, Barrocas viveu um período de 13 anos de estagnação. Nesse período, foram representantes do Distrito de Barrocas na Câmara Municipal de Serrinha os seguintes vereadores: Roque Avelino de Queiroz, Joseval Ferreira Mota (substituindo Eronilton de Oliveira por ter falecido).
Houve um plebiscito em que os eleitores foram convocados a opinar sobre a recriação do Município. A maioria aprovou a idéia e Barrocas continuou na luta pela a emancipação, até que reconquista a categoria de Município que havia perdido.
No dia 30 de março de 2000 foi aprovada, por unanimidade, a Lei Estadual nº 7.620 e sancionada pelo Governo do Estado, recriando o Município de Barrocas. Esta vitória foi alcançada graças aos esforços dos políticos do “Grupo Barrocas Livre” e a participação decisiva do Deputado Estadual Vespasiano Santos e com o mérito do Senador Antônio Carlos Magalhães.

SEGUNDO PREFEITO DE BARROCAS



No pleito eleitoral do dia primeiro de outubro de 2000, foi eleito Prefeito de Barrocas José Edílson de Lima Ferreira, tendo como vice Joseval Ferreira Mota - que teve de renunciar o cargo de vereador de Serrinha.


Foram eleitos para a Câmara de Vereadores:


Abelardo dos Santos Oliveira,
Gerson de Queiroz Ferreira,
Gilberto de Queiroz Brito (Betão),
João Luiz Damião,
Joseilton Avelino de Queiroz,
José Eides Avelino de Queiroz,
Joaquim João de Oliveira,
Justiniano de Jesus Mota e
Luiz dos Santos Queiroz (Pimba).


Com o falecimento de Abelardo dos Santos Oliveira antes de terminar o mandato, foi empossado o suplente José Queiroz da Silva.
A posse ocorreu no dia primeiro de janeiro de 2001.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

BARROCAS VOLTA À CONDIÇÃO DE DISTRITO DE SERRINHA (31 de dezembro de 1988).


A emancipação de Barrocas contrariou os interesses dos Municípios de Serrinha, Teofilândia e Araci. Diante disso, por intermédio de cinco eleitores, influenciados por políticos da região, foi pedida, em 31 de dezembro de 1988 uma representação alegando inconstitucionalidade da Lei Estadual que emancipou Barrocas. A representação tinha o seguinte teor:
“Ezequiel Araújo Ferreira Filho, Diógenes Araújo Ferreira, Antônio da Silva Barreto, Josefa Rodrigues do Nascimento e Silvinha Bispo de Miranda, títulos de eleitor nºs 39513, 17506, 21680, 9616 e 39458, respectivamente, vêm no prazo legal, solicitar a V. Excia, que se digne oferecer Representação por inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 4.444 de 09 de maio de 1985 que criara o município de Barrocas, neste Estado da Bahia...”. (Conf. Processo).
Julgada e deferida a solicitação de anulação, Barrocas voltou a condição de Distrito de Serrinha, após ter funcionado legalmente como município, com todos os direitos e deveres que lhe competiam, da data de sua emancipação até 31 de dezembro de 1988.

SOLIDARIEDADE DOS AMIGOS DE BARROCAS

Diante de tamanha injustiça e barbaridade que foi a impugnação da emancipação de Barrocas, os seus amigos - políticos partidários ou não - jamais perderam a esperança de rever Barrocas independente e se mantiveram solidários. Vejamos os depoimentos de alguns entre tantos amigos de barrocas:

Salvador, 20 de dezembro de 1991

Prezado senhor, amigos e conterrâneos:

Sempre venho acompanhando os acontecimentos que por aí se dão. Fiquei bastante chocado com as atitudes incoerentes dos nossos vizinhos (Serrinha, Teofilândia e Aracy), em tirar a independência de nossa cidade, para conseguirem “roubar” em plena luz do dia o que sempre foi nosso e espero que em breve volte a nossas mãos.
É mais que necessário que todos se unam nessa luta. É preciso encarar de frente e de imediato. Chega de humilhação e pouco caso. Vamos dar as mãos numa corrente forte, e se preciso entrar com uma ação na justiça para reaver o que a nós pertence de fato e de direito. Não vai ser fácil. Se conseguirmos outra vez a independência política e desvinculação de Serrinha, passaríamos a ter o total comando sobre a Fazenda Brasileiro que faz parte do nosso município. Aí Serrinha, Teofilândia e Aracy cassariam outra vez o nosso título e colocar-nos-iam outra vez aos seus pés, que estão bastantes sujos e voltaríamos ao que estamos hoje.
Está bem evidente que é preciso levar até a Justiça esta polêmica, pois ambos vão tentar por todos os meios inviabilizar essa nossa reconquista.
Temos que nos unir. Não só o povo em geral, como também os políticos, todos. Não importa a legenda. O momento é de união e não de divisão. Após resolver a questão da desvinculação, então se organizam em partidos para disputar as eleições.
No momento todos os moradores sofrem as conseqüências na pele. No entanto, apesar de toda a situação complexa, tem alguns que não foram prejudicados. Isso porque creio que continuam exercendo a função de vereadores e recebendo todo mês a sua parcela que é simplesmente a parte de negligência e falta de respeito para com todos os moradores sofridos, dos campos de sisal, maus pagos e cheios de desesperanças no meio do sol ardente como também daqueles que se retiraram para ganhar o pão noutro local, porque a oferta de emprego não existe; Isso porque as vagas que surgem são restritas aos entes queridos... São poucos inteligentes, só olham o próprio bem-estar. Não sabem estes, que se a cidade cresce, desenvolve, todos ganham com isso, inclusive eles. Falta então, consciência política. Para nós falta tomarmos consciência de tudo, e unirmos as forças, regaçar as mangas e partir para as conquistas. Não vamos deixar que as três façam o que bem entendem.
Estamos distantes, mas não alheios aos acontecimentos. Vamos reconquistar nossa autonomia e desenvolvimento dessa nossa cidade, que apesar do que aconteceu, continua viva e capaz de reconquistar seu lugar. Temos forças e apoios, condição etc. Só resta formarmos uma corrente forte e buscarmos o que a nós pertence.
Só não entendo porque até agora não se manifestaram as atitudes das três cidades?
Sr. João, mesmo distantes, todos nós torcemos por isso. Gostaria de dar minha parcela de contribuição. Mesmo que seja com simples idéias e atitudes para obtenção do nosso intuito.

Abraços para todos.
FELIZ NATAL
Leonys Pereira



DE JOÃO OLEGÁRIO PARA LEONYS:

Barrocas 31 de dezembro de 1991.
Meu caro jovem Leonys,
Um abraço
É com muita satisfação que acuso o recebimento de sua carta que considero mais como uma mensagem datada de 20 -12-91. Você sabe da luta que venho enfrentando há muito tempo por nossa Barrocas. Agora mesmo, diante de um silêncio total de Serrinha e de grande parte dos barroquenses, principalmente de nossos adversários, venho enfrentando praticamente só uma luta tremenda e quase sem proveito. É como se remar contra a maré. Tanto que já estamos no fim da jornada e as esperanças são poucas, de salvar nossa terra, pelo menos desta vez, e mesmo assim não vou parar principalmente depois de ter recebido sua comovente mensagem e ter certeza que não estou só e que conto com jovens como você que mesmo estando fora daqui está dando provas através de sua correspondência que não se esqueceu de nossa Barrocas. Isto é muito importante e nos dar mais estímulo e coragem para, apesar dos meus 71 anos completos, não parar de lutar pela recuperação da independência e o progresso de nossa terra. Tenho certeza que você está acompanhando de perto e assim sendo estar vendo que a esta altura já estamos quase sem esperança mais enquanto faltar um só minuto eu estarei atuando para ver nossa terra independente. Já lhe incluir na relação dos autênticos Barroquenses e de um dos meus aliados em defesa de Barrocas e tenho certeza que juntos chegaremos lá.
Caso seja confirmado o plebiscito espero contar com sua presença para nos ajudar. Estou próximo ir até Salvador. Se for, farei o possível de chegar até você. Quando vier a Barrocas apareça em nosso sítio. Desejo-lhe um Ano Novo feliz extensivo aos nossos conterrâneos que estiverem próximos de vocês, especialmente o jovem que trouxe a correspondência.
Do amigo
João Olegário de Queiroz

domingo, 1 de agosto de 2010

BARROCAS FORMAVA TELEGRAFISTAS DA V.F.F.L.B.

A estrada de ferro, passando por Barrocas, trouxe também sua colaboração na formação de vários jovens. Com permissão do Inspetor Regional da VFFLB, jovens podiam praticar telégrafo na estação.
O praticante aprendia a reconhecer o Código Morse. Este código usa combinações de pontos e de linhas para representar o alfabeto, algarismos e sinais de pontuação. O futuro telegrafista teria que aprender a transmitir esse código através de um aparelho chamado de manipulador”; devia saber entender o código gravado numa fita onde as mensagens eram transcritas e mais ainda: saber “pegar de ouvido” a mensagem. Era sonho de muitos jovens tornarem-se um telegrafista. Era um caminho certo para se tornar um agente de estação e outras promoções na rede ferroviária. De
Barrocas saíram muitos telegrafistas e alguns se tornaram agentes de estação. Entre eles são lembrados: João Neto, Dudu, Antônio Pinheiro, Dãozinho de Pedro Avelino; também outros praticantes que seguiram carreiras diferentes como os filhos do agente Américo de Faro Teles: Joel e Tonhinho e alguns mais.
O jovem que não tinha escolaridade e aptidões para ser um telegrafista, não perdia a esperança de ser um ferroviário, um empregado do governo com salário garantido. Vários deixaram a enxada, a tropa de burro, o carro de boi e se tornaram garimpeiros, guarda-chaves, guarda freios, guarda-fios da ferrovia. Era também sonho dos pais, casarem suas filhas com um “empregado da estrada”. O ferroviário que chegasse solteiro em Barrocas, em pouco tempo estava casado, tendo o privilégio de escolher a moça mais bonita.

CÓDIGO MORSE USADO PELA ESTRADA DE FERRO
PARA TRANSMITIR MENSAGENS:









sexta-feira, 30 de julho de 2010

BARROCAS E A TELECOMUNICAÇÃO




Aparelho de telégrafo
Aparelho de telefone antigo

A ferrovia trouxe o telégrafo para Barrocas, o meio de comunicação mais moderno e rápido da época. Com ele os barroquenses começam a comunicar-se com todo o país. Pessoas de toda a região e dos povoados vizinhos vinham à estação de Barrocas para passar telegramas de transações comerciais, notícias familiares alegres ou tristes, como o falecimento de um ente querido ou o nascimento de uma criança.
Os telegrafistas da estação eram pessoas de destaque no povoado, não só porque sabiam transmitir mensagens em código Morse e decifrá-la, como pelo salário que recebiam. A pessoa dessa geração lembra-se de telegrafistas como Lourival Nunes Medeiro (Dudu) e Antônio Pinheiro. Os rapazes telegrafistas solteiros eram disputados pelas donzelas de Barrocas. Só o senhor Sinfrônio deu em casamento duas filhas a dois telegrafistas: Dudu e a João Gonçalves Pereira Neto.
A TELEBAIA chegou a Barrocas durante a gestão do prefeito João Olegário de Queiroz. Ele mesmo fez a doação de um terreno à companhia para a edificação da torre. Assim, o serviço telefônico pode chegar a Barrocas, possibilitando aos barroquenses se comunicarem com todo o país e com o mundo.
Agora, os barroquenses trazem o mundo para dentro de seus lares através da televisão. Muitas pessoas já têm acesso à internet e esse número vai sempre aumentando.

sábado, 17 de julho de 2010

BARROCAS EMANCIPADA

João Olegário de Queiroz - primeiror prefeito municipal de Barrocas - Bahia

Com o desenvolvimento de Barrocas, seu filhos e moradores acharam justo que o distrito passasse à condição de cidade, emancipando-se de Serrinha. Como distrito, toda a arrecadação de Barrocas ia para os cofres do Município de Serrinha sem ter o devido retorno. Foi então que surgiu um movimento em prol da emancipação de Barrocas encabeçado pelas lideranças políticas locais.
Finalmente, depois de tantos esforços de sua gente, em força da Lei Estadual nº 4.444 de nove de maio de 1985, Barrocas foi emancipada. Em 15 de novembro do mesmo ano, foi eleito Prefeito Municipal da nova cidade o senhor João Olegário de Queiroz, tendo como seu vice o senhor Josemir Araújo Lopes. Os eleitos tomaram posse cobertos por uma liminar, pois a criação do município estava sub judice, em virtude de um processo que corria na Justiça Federal em Brasília, contra a emancipação.
A solenidade da posse aconteceu no dia primeiro de janeiro de 1986 presidida pelo Meritíssimo Juiz Dr. Emílio Salomão Pinto Resedá, que estava substituindo o titular da Comarca de Serrinha. A Câmara Municipal estava constituída dos seguintes vereadores: Miguel Carvalho de Queiroz, Moacyr Carvalho de Queiroz, Luiz dos Santos Queiroz (Pimba), João de Mata Queiroz (Joanísio), José Nário de Queiroz (Genaro), João Batista de Queiroz, Abílio Cardoso de Oliveira, Joseval Ferreira Mota e Justiniano de Jesus Mota.


ATUAÇÃO DO NOVO PREFEITO

A primeira providência tomada como prefeito de Barrocas foi à instalação da prefeitura na Rua José Maximiniano da Mota, com móveis adquiridos com o então governador João Durval Carneiro. Em seguida, conseguiu instalar de rede elétrica de Paulo Afonso em Barrocas e nas localidades de Alambique, Rosário, Lagoa da Cruz; construir de prédios escolares nas comunidades de Lagoa do Velho, Fazenda Coalhada, Periquito, Lagoa da Cruz, Alambique, Ipoeira, Nova Brasília, Ouricuri, São Miguel (Colégio Albino Junqueira); assumiu a administração da Maternidade Fernando Lima Queiroz, recuperando a sala de parto com a colocação do forro; construiu o antigo Posto Médico de Barrocas à Rua Maria das Dores e um pequeno Posto Médico na localidade Lagoa da Cruz; comprou uma ambulância com verba adquirida do Governo Federal.
João Olegário continuou o calçamento iniciado e interrompido pelos prefeitos anteriores de Serrinha. Pavimentou a Rua Padre Demócrito até a casa residencial de Laerte, subindo para o lado Sul até encontrar a rua Maria das Dores; colocou naquela rua o nome de Décio Teixeira (um telegrafista de Serrinha). E assim foi concluindo o serviço de pavimentação das outras ruas. Por intermédio do então Governador Dr. Antônio Carlos Magalhães, foi construído o antigo Posto Médico de Barrocas situado à Rua Maria das Dores.
Mas não foi só isso, João Olegário deu continuidade aos projetos apoiados pelo FUNDEC e iniciados antes da criação do novo município de Barrocas:
Construção do matadouro: balança de pesagem para gado vivo, outra para o açougue;
Projeto para abastecimento de água da cidade - Apesar de estar pronto só foi inaugurado após o mandato do Prefeito João Olegário; 
Construção e equipamento da Maternidade Fernando Lima de Queiroz - na gestão de João Olegário, foi feito alguns melhoramentos, como forro na sala de parto etc;
Casas de farinha de Minação e Barrocas Foram equipadas com: forno elétrico, prensa manual, triturador de farinha, ralador elétrico e cocho azulejado. A casa de farinha da Minação encontra-se em funcionamento;
Ampliação do Ginásio JúlioVeríssimo;
• Construção da Praça São João - Foi construída em terrenos da Igreja através de um acordo feito com o padre Lucas, com a promessa de que a Igreja seria contemplada com outra área doada, para construção de uma casa e instalação de uma Congregação de Freiras - o que não aconteceu;
• Iniciou a construção da quadra poliesportiva;
• Construção de duas salas, uma área livre e cantina.
• Apoio ao artesanato, corte e costura: Foram compradas cinco máquinas, mesas, cavaletes e peças de tecidos, vindo a funcionar até a diretoria seguinte.
• Foi comprado um serviço de altofalante que funcionou por muito tempo;
• Posto avançado do Banco do Brasil, conseguido por intermédio do FUNDEC que começou atender ao público em 1985, no prédio onde funcionava a Prefeitura; posteriormente mudou-se para o prédio do Posto Telefônico, onde antes foi instalado o motor da luz .
Todo o benéfico vindo do FUNDEC foi por intermédio da Associação do Desenvolvimento Comunitário de Barrocas, segundo depoimento do senhor Joseval Ferreira Mota, primeiro Presidente da referida Associação.

domingo, 11 de julho de 2010

BARROCAS BENEFICIADA PELO FUNDEC




As fotos mostram a Praça São João Batista antes e depois antes e depois da reforma.
O FUNDEC (Fundo de Desenvolvimento das Cidades) é um órgão criado para financiar o desenvolvimento das cidades. Através dele, o barroquense Fernando Lima de Queiroz, funcionário do Banco do Brasil, achou por bem trazer dez projetos para o Município:

  • Construção da antiga Praça da Matriz;
  • Matadouro público;
  • Maternidade;
  • Praça de esporte;
  • Um trator agrícola (besouro) com os equipamentos necessários para lavoura;
  • Uma casa de farinha semi-industrial instalada na localidade de Minação e outra em Barrocas;
  • Projeto para o abastecimento de água da cidade;
  • Construção e aquisição de equipamentos para a Maternidade Fernando Lima de Queiroz;
  • Mobiliário para 14 escolas rurais;
  • Ampliação do Ginásio Júlio Veríssimo, apoio ao artesanato, corte e costura.


Como condição para que esses projetos fossem levados a efeito, vindo a beneficiar o Município, foi exigido a criação de uma sociedade de desenvolvimento da cidade. Em 16 de abril de 1984,criou-se Associação do Desenvolvimento Comunitário de Barrocas. A primeira diretoria foi composta por:

  • Joseval Ferreira Mota - Presidente;
  • Antônio Carlos de Oliveira Queiroz - vice presidente
  • Raymundo Luiz de Queiroz - Secretário;
  • José Alves de Queiroz Neto - Tesoureiro.


Todo o benéfico vindo do FUNDEC foi por intermédio dessa Associação, segundo depoimento do senhor Joseval Ferreira Mota, primeiro Presidente da referida Associação.
Assim sendo, fazemos menção honrosa a ele, dado o seu interesse pelo o progresso da cidade.

Um Posto Avançado do Banco do Brasil, conseguido por intermédio do FUNDEC, começou atender ao público em 1985, no prédio onde funcionava a Prefeitura; posteriormente mudou-se para o prédio do Posto Telefônico, onde antes foi instalado o motor da luz .

Até o ano de 1985, a Prefeitura Municipal de Serrinha manteve em andamento os projetos iniciados e mantidos pelo FUNDEC.
Com a criação do Município de Barrocas, o novo prefeito, João Olegário de Queiroz, deu continuidade aos trabalhos.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O JOÃO NETO QUE VOCÊ NÃO CONHECE

Foto: João Neto

Homens simples, trabalhadores e idealistas marcaram e continuam marcando a história de Barrocas. No livro “BARROCAS, uma filha da estrada de ferro”, seus autores lembraram José Alves Campos (José da Espera) e sua esposa Felisberta Maria de Jesus, donos das terras onde surgiu o povoado de Barrocas com a passagem da estrada de ferro; falou-se da família Teles e dos Queiroz descendentes de Sinfrônio ou a ele relacionados; foram citados os nomes de João Afonso da Silva que foi o primeiro comerciante de Barrocas, que trouxe a escola pública para o povoado e construiu a primeira capela; citou-se Pedro Esmeraldo Pimentel, o terceiro comerciante, além de tantos outros. Muitos emprestaram seus nomes para batizarem ruas estabelecimentos públicos da cidade.
Mas ainda há muitos barroquenses importantes que estão no anonimato após a morte ou ainda vivos e idosos espalhados por outros recantos. É preciso lembrá-los e fazer com que as gerações mais novas os conheçam.
João Gonçalves Pereira Neto, ou simplesmente João Neto, hoje com quase 90, é um desses barroquenses ilustres que pouca gente conhece sua história. As pessoas de Barrocas ligadas a Igreja o conhecem e estimam como um homem de fé e diácono permanente. Mas poucos sabem que ele é condecorado pelo Exército Brasileiro com a Medalha de Campanha - uma condecoração concedida aos militares brasileiros, ou de nações aliadas, quando incorporados a forças brasileiras, que tenham participado de operações de guerra sem nota de desabono. Foi criada pelo Decreto-Lei nº 6.795, de 17 de agosto de 1944.
O barroquense João Neto foi convocado a servir ao Exército Brasileiro e, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi mandado como expedicionário a lutar na Itália contra as forças inimigas.
Em 25 de novembro de 1944, ele embarca no navio de guerra no Rio de Janeiro com destino à Itália. Só retorna à Pátria em primeiro de outubro 1945. Retorna vitorioso. Depois de dispensado do Exército, ingressa na estrada de ferro como telegrafista, trabalhando em Itareru e Serrinha. Daqui em diante começa uma nova fase em sua vida. Constitui família, exerce várias atividades civis até se aposentar, em 17 de maio de 1973, como funcionário da Petrobrás.
Ele conta, na sua autobiografia, toda sua trajetória desde o momento em que recebe o comunicado para embarcar imediatamente no primeiro trem de Barrocas a Salvador para se apresentar ao comando do Exército, suas atividades como recruta, como soldado, como expedicionário, combatente, até sua volta ao Brasil vitorioso com o Exército Brasileiro.
No relato, ele poupa ao leitor as emoções de um jovem que deixa sua mãe aflita, sua terra, suas namoradas, para arriscar sua vida nos campos de batalha, em outro país distante e desconhecido. Ele só diz que sua mãe, depois da notícia, lhe deu algum dinheirinho para a viagem, fez um embrulho com suas poucas roupas e ficou chorando. Ele, com seu embrulho de roupa debaixo do braço, segue a pé da Itapororoca em direção a Barrocas, de lá para Serrinha e de Serrinha para Salvador.
Em Salvador, seu alojamento são o Forte de São Pedro e o Forte do Barbalho. Ordens militares a cumprir, treinamento de guerra a aprender até o dia em que toma o navio e vai por em prática, no campo de batalha o que aprendeu. Quem imagina o que se passou na mente e no coração desse rapaz diante de tantas experiências? E a ansiedade, a incerteza? O que se passou no coração daquela mãe? Só outra mãe pode compreender.
Mas tudo passa! Tudo passou. João Neto voltou da guerra para alegria de sua mãe que o recebeu com abraço carinhoso e com lágrimas de felicidade; alegria de toda a família e dos amigos e amigas. Uma missa foi celebrada em ação de graças na igreja de Barrocas, pela volta vitoriosa de um ex-combatente. Foi sua mãe, D. Maria Eustáquia, quem mandou celebrar.
As novas gerações de Barrocas devem conhecer melhor a história de nossa gente e se orgulhar dela.
(Na foto menor, João Neto com a farda do Exército).